segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O avesso do contrário.

Contrariedade

O nada, nada mais é
do que o antigo tudo.
Que antes, fazia parte
de nada mais, nada menos
do que o próprio nada.

E nada, exceto tudo
transforma-se mais
do que se é.
Oscilando constantemente
em ser tudo e nada.

Tal qual a retórica,
a si mesmo responde.
Mas não corresponde
ao que deveras é:
tudo em meio a nada.

Nada em meio a tudo,
é em ilusão,
no logro, a confusão.
Assim, não é o nada,
tampouco é o tudo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Paradoxos?

Antitético

O Céu, A Eternidade Diante De Meus Olhos
A Terra, O Apoio Sob Meus Pés
O Horizonte, O Caminho Que Sigo

A complexidade, o que não posso explicar
O devaneio, o que me faz agir
A necessidade, o que me faz criar.

O vício, o que me há de mau
A virtude, o que me há de bom
O equilíbrio, que me leva adiante.

A vida, a existência harmoniosa
de todos fatores; em contraste:
A morte, a completa desarmonia,
no ensaio de outra vida.

Las palabras de dor.

A dor das palavras

As navalhas que me cortam
não percebem a dor
não se importam
com esse sofredor.

São facas afiadas
que me cortam caladas
não sentem amor
nem terror.

São palavras que tudo falam
e nada me deixam dizer
é assim que elas me calam
e me fazem sofrer.

Quem sabe, amanhã,
o que foi dito hoje me deixará
minha esperança, vã,
quem sabe, se concretizará.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Descriatividade

Ando falido de ideias
e memórias.
Não se cria mais nada,
e se apaga o existente.

Transformo as memórias,
em ideias.
Iludindo-me, em vão,
com mais uma velha nova criação.

Se o que faço, já fiz
e o que não faço,
é o que há de ser feito

Penso e repenso em algo,
que deveria ser desfeito,
e refeito, e então feito.

E enfim, anuncio a criação:
Vestígios reformulados da memória,
em forma de ideia falida, mas nova.