Contrariedade
O nada, nada mais é
do que o antigo tudo.
Que antes, fazia parte
de nada mais, nada menos
do que o próprio nada.
E nada, exceto tudo
transforma-se mais
do que se é.
Oscilando constantemente
em ser tudo e nada.
Tal qual a retórica,
a si mesmo responde.
Mas não corresponde
ao que deveras é:
tudo em meio a nada.
Nada em meio a tudo,
é em ilusão,
no logro, a confusão.
Assim, não é o nada,
tampouco é o tudo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Paradoxos?
Antitético
O Céu, A Eternidade Diante De Meus Olhos
A Terra, O Apoio Sob Meus Pés
O Horizonte, O Caminho Que Sigo
A complexidade, o que não posso explicar
O devaneio, o que me faz agir
A necessidade, o que me faz criar.
O vício, o que me há de mau
A virtude, o que me há de bom
O equilíbrio, que me leva adiante.
A vida, a existência harmoniosa
de todos fatores; em contraste:
A morte, a completa desarmonia,
no ensaio de outra vida.
O Céu, A Eternidade Diante De Meus Olhos
A Terra, O Apoio Sob Meus Pés
O Horizonte, O Caminho Que Sigo
A complexidade, o que não posso explicar
O devaneio, o que me faz agir
A necessidade, o que me faz criar.
O vício, o que me há de mau
A virtude, o que me há de bom
O equilíbrio, que me leva adiante.
A vida, a existência harmoniosa
de todos fatores; em contraste:
A morte, a completa desarmonia,
no ensaio de outra vida.
Las palabras de dor.
A dor das palavras
As navalhas que me cortam
não percebem a dor
não se importam
com esse sofredor.
São facas afiadas
que me cortam caladas
não sentem amor
nem terror.
São palavras que tudo falam
e nada me deixam dizer
é assim que elas me calam
e me fazem sofrer.
Quem sabe, amanhã,
o que foi dito hoje me deixará
minha esperança, vã,
quem sabe, se concretizará.
As navalhas que me cortam
não percebem a dor
não se importam
com esse sofredor.
São facas afiadas
que me cortam caladas
não sentem amor
nem terror.
São palavras que tudo falam
e nada me deixam dizer
é assim que elas me calam
e me fazem sofrer.
Quem sabe, amanhã,
o que foi dito hoje me deixará
minha esperança, vã,
quem sabe, se concretizará.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Descriatividade
Ando falido de ideias
e memórias.
Não se cria mais nada,
e se apaga o existente.
Transformo as memórias,
em ideias.
Iludindo-me, em vão,
com mais uma velha nova criação.
Se o que faço, já fiz
e o que não faço,
é o que há de ser feito
Penso e repenso em algo,
que deveria ser desfeito,
e refeito, e então feito.
E enfim, anuncio a criação:
Vestígios reformulados da memória,
em forma de ideia falida, mas nova.
e memórias.
Não se cria mais nada,
e se apaga o existente.
Transformo as memórias,
em ideias.
Iludindo-me, em vão,
com mais uma velha nova criação.
Se o que faço, já fiz
e o que não faço,
é o que há de ser feito
Penso e repenso em algo,
que deveria ser desfeito,
e refeito, e então feito.
E enfim, anuncio a criação:
Vestígios reformulados da memória,
em forma de ideia falida, mas nova.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Desconforto
Desconforto
Queria eu,
que passasse invisível aos meus olhos
tudo que ontem era presente,
e já não é hoje, futuro.
Queria eu,
que as lembranças se confundissem,
e assim se perdessem em pedaços miúdos;
nada mais voltaria, como ainda hoje surge, na memória.
Bom seria,
se o que, por muito veio, não mais voltasse,
guardado aos pedaços em qualquer lugar,
um canto da memória em desuso.
As lembranças que ferem, e a dor ao voltar,
não que sinta saudade, mas as imagens
surgem e não se vão...permanecem
intactas, as infelizes, a me atormentar.
Queria eu,
que passasse invisível aos meus olhos
tudo que ontem era presente,
e já não é hoje, futuro.
Queria eu,
que as lembranças se confundissem,
e assim se perdessem em pedaços miúdos;
nada mais voltaria, como ainda hoje surge, na memória.
Bom seria,
se o que, por muito veio, não mais voltasse,
guardado aos pedaços em qualquer lugar,
um canto da memória em desuso.
As lembranças que ferem, e a dor ao voltar,
não que sinta saudade, mas as imagens
surgem e não se vão...permanecem
intactas, as infelizes, a me atormentar.
domingo, 2 de maio de 2010
Império Ativo
Faça, não questione
Consuma, não pense
Trabalhe, não pare
Corra, não ande;
Seja isso, não aquilo
Faça aquilo, não isso
Acredite, sem pensar
Fale, que mandamos;
Não pense, nem questione
nunca pare de andar.
Não pense aquilo,
que mandamos isso.
Seja o que não é,
não seja o que é,
não pense, nem sinta
diremos o que será.
Consuma, não pense
Trabalhe, não pare
Corra, não ande;
Seja isso, não aquilo
Faça aquilo, não isso
Acredite, sem pensar
Fale, que mandamos;
Não pense, nem questione
nunca pare de andar.
Não pense aquilo,
que mandamos isso.
Seja o que não é,
não seja o que é,
não pense, nem sinta
diremos o que será.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Blefe (ou A mentira que vira verdade)
A verdade se esvai, velada
simples, singela, assim bela
em vã mentira transformada
de outra verdade é janela.
Não uma verdade real,
mero blefe natural;
escapatória, ilusão;
um caminho, sem outra mão.
Realidade transfigurada
já é o falso, o dominante
do que era, já não é mais nada.
E se nada mais é, sobra só a mente
que jurava a verdade contada
onde mente que é a mente que mente.
simples, singela, assim bela
em vã mentira transformada
de outra verdade é janela.
Não uma verdade real,
mero blefe natural;
escapatória, ilusão;
um caminho, sem outra mão.
Realidade transfigurada
já é o falso, o dominante
do que era, já não é mais nada.
E se nada mais é, sobra só a mente
que jurava a verdade contada
onde mente que é a mente que mente.
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